Marco Antônio Coutinho Feitosa, 18, vai percorrer 598 km de carro com o pai, de Teresina (PI) a Fortaleza (CE), para fazer a prova da primeira fase da Fuvest, vestibular que seleciona alunos para a USP (Universidade de São Paulo).

A viagem deve durar de sete a oito horas. Os dois pretendem sair neste sábado (31) de manhã e chegar à capital cearense à tarde, na véspera da prova. O gasto com combustível será o principal custo do deslocamento.

Estudante do Instituto São José, ele quer cursar engenharia da computação no campus da USP em São Carlos, no interior paulista. Com a aplicação da prova em Fortaleza, Marco pode disputar uma vaga na universidade sem precisar viajar até São Paulo para fazer o vestibular.

A capital cearense recebe neste ano, pela primeira vez, a prova da Fuvest fora de São Paulo. São 1.640 inscritos de 23 estados e do Distrito Federal que escolheram Fortaleza como local de prova. Ela será realizada a partir das 13h deste domingo (1º).

A decisão de levar a prova ao Ceará foi questionada na Assembleia Legislativa de São Paulo. Em agosto, o deputado estadual Leonardo Siqueira (Novo) pediu esclarecimentos sobre os custos da operação e os critérios para escolher a capital cearense. A escolha também gerou críticas nas redes sociais.

Segundo Gustavo Monaco, diretor-executivo da Fuvest, a escolha de Fortaleza levou em conta a localização da cidade, que facilita o acesso de candidatos do Nordeste e de parte da região Norte. O desempenho de estudantes cearenses em vestibulares e o número de inscritos no estado também foram considerados.

A mudança amplia as opções para quem vive longe de São Paulo e quer concorrer a uma vaga na universidade. Ainda assim, o deslocamento exige planejamento, e os custos variam conforme a distância, o meio de transporte e a possibilidade de ficar na casa de familiares.

Abimael Landim, 19, já cursa medicina na Universidade Federal do Pará, mas quer estudar na USP, por ser uma referência internacional em oncologia. Ele está em Fortaleza desde 27 de outubro, hospedado na casa dos avós. Para chegar à capital cearense, fez escalas em Brasília e Salvador, em uma viagem de avião que durou 18 horas.

Entre os candidatos cearenses, Beatriz Lima, 17, concilia o terceiro ano do ensino médio e o trabalho como jovem aprendiz com a preparação para os vestibulares. Aluna da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Dr. César Cals, da rede estadual, ela quer cursar farmácia na USP e trabalhar com perícia criminal, na área de toxicologia forense.

Fazer a prova em Fortaleza foi decisivo para que ela tentasse uma vaga na universidade. "Se a Fuvest não fosse aplicada aqui, sinceramente, eu não tentaria, porque os custos com transporte e hospedagem tornariam tudo muito mais difícil", diz.

No Colégio Farias Brito, Maria Clara Silva Souza, 20, também vê na aplicação em Fortaleza a chance de disputar uma vaga sem enfrentar os custos e a logística de uma viagem. Nascida em Taubaté, no interior de São Paulo, e criada no Rio, chegou ao Ceará em 2022, após conseguir uma bolsa de estudos na escola.

Maria Clara quer cursar psicologia. O interesse pela universidade cresceu com a experiência da irmã mais velha, formada em arquitetura e urbanismo pela instituição paulista neste ano. As conversas sobre o curso, os professores e a vida universitária ajudaram a transformar a USP em seu objetivo.

Embora conheça pessoas em São Paulo, Maria Clara diz que seus contatos vivem principalmente no interior do estado, o que dificultaria a hospedagem na capital paulista. Fazer a prova em Fortaleza, portanto, simplifica sua participação no vestibular.

Da mesma turma, Arthur Bruno Macedo Cruz, 17, e João Victor Santos Souza, 18, querem estudar engenharia na Escola Politécnica da USP.

Arthur pretende cursar engenharia mecânica e trabalhar com automobilismo, interesse que surgiu ainda na infância. O pai, que não teve acesso à educação na infância, incentivou o filho a se dedicar à física e à matemática. "A Fórmula 1 é meu objetivo de vida", diz.

No Farias Brito, os estudantes intensificaram a preparação depois da confirmação de que a prova seria aplicada em Fortaleza. A rotina inclui simulados, resolução de exames anteriores e leitura das obras obrigatórias.

Segundo o professor Dawison Sampaio, que acompanha os alunos, um dos desafios é se adaptar ao estilo da Fuvest, que exige interpretação e articulação entre diferentes disciplinas. "Não adianta você demonstrar todo o conhecimento que tem ali se não resolver exatamente o que está sendo pedido. É um estilo de prova diferente, mas os alunos estarão preparados".

Para esta edição, a Fuvest trouxe mudanças no formato da primeira fase, que passou de 90 para 80 questões de múltipla escolha, mantendo as cinco horas de duração. Segundo a fundação, a redução busca dar mais tempo para os candidatos refletirem sobre os enunciados.

Entre os cursos mais concorridos estão medicina, com 76,3 candidatos por vaga, psicologia em São Paulo (50,9), psicologia em Ribeirão Preto (37,5) e relações internacionais (34,8).

Relação de candidatos/vaga nos cursos mais concorridos