O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou nesta quinta-feira (15) o não fechamento do túnel do Anhangabaú durante a forte chuva que atingiu a capital na quarta (14). O local ficou inundado e deixou carros boiando e pessoas ilhadas.
Tarcísio deu a declaração durante evento do governo sobre o planejamento para mitigação e adaptação sobre as mudanças climáticas, com foco no fenômeno El Niño.
"As pessoas têm que levar a sério as previsões e, às vezes, aquilo que parece ser transtorno está lá para salvar uma vida, para evitar um problema. Às vezes, uma interdição de uma obra causa transtorno, as pessoas reclamam, mas é para evitar um problema, é para evitar um acidente", disse ele em discurso.
"Ontem houve alerta. Mas o túnel do Anhangabaú não foi fechado. Por que está assim? Porque chega uma hora que mesmo que tenha sistema de bombeamento etc., a capacidade de esgotar é inferior à vazão que está chegando. Vamos lembrar que a cidade de São Paulo é cortada por mais de 300 cursos d'água e várias vazões", acrescentou.
A prefeitura, responsável pelo túnel, disse, em nota, que ainda investiga o caso. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) culpou o "volume gigantesco de água" pelo alagamento no sentido da avenida 9 de Julho, com destino à zona sul da cidade. Pelo menos 12 carros e 2 ônibus ficaram danificados durante a inundação no túnel.
"Tem um rio embaixo que é o rio Anhangabaú; o rio Saracura que vem dentro ali por baixo da 9 de Julho; o rio Itororó que vem pela 23 de maio; o rio Bixiga, que cai dentro do Saracura; e ainda o rio Augusta. Todos esses rios acabam desaguando no rio Anhangabaú, que é justamente onde está o túnel. Então, é um volume de água gigantesco", disse Nunes.
As chuvas causaram um caos na cidade. Uma pessoa morreu após deslizamento de terra sobre uma residência na Brasilândia, na zona norte. Diversos bairros registraram alagamentos. Árvores foram derrubadas. O lago no parque Ibirapuera transbordou e, nesta quinta, amanheceu com o rastro dos estragos.
O temporal foi causado por uma combinação de fatores, como uma área de baixa pressão, calor e concentração de umidade, segundo o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).
Essa baixa pressão formada entre Mato Grosso do Sul e o oeste paulista levou a tempestades violentas, com raios, granizo e rajadas de vento. O temporal se deslocou ao longo do dia até a região metropolitana de São Paulo, de acordo com o Cemaden.
A situação levou a prefeitura a suspender o rodízio de veículos na volta para casa.



